sexta-feira, 10 de agosto de 2007

ARCA DA ALIANÇA

O Aron Hakodesh - a Arca Sagrada ou Arca da Aliança - era o ponto focal do Tabernáculo, o local de maior santidade pelo fato de abrigar as Tábuas da Lei e a Torá, Testemunhos da Aliança Eterna selada no Monte Sinai entre Deus e Seu povo. Era também um "caminho" para a mais elevada dimensão espiritual; pois, como está dito na Torá, o Eterno se comunicava com Moisés "por sobre a Arca". (Êxodo 25:22)



O ponto focal do Mishkán (Tabernáculo) era o Aron Hakodesh - a Arca Sagrada. Guardada no lugar de maior santidade do Tabernáculo, no Kodesh ha-Kodashim, a Arca iria abrigar os bens mais preciosos de Israel, símbolo da Aliança firmada no Sinai: as duas Tábuas da Lei, onde D'us inscrevera os Dez Mandamentos, os fragmentos das primeiras Tábuas estilhaçadas e o Sefer Torá original, que, ditado por Deus, fora transcrito por Moisés.



Por conter o testemunho da Palavra Divina, a Arca era ponto de maior santidade de todo o Tabernáculo, o local onde se revelaria a Shechiná. Pois, seria de lá, afirma a Torá, "por sobre a Arca" que o Todo Poderoso se comunicaria com Moisés. Assim como no Monte Sinai o "Grandioso Encontro" fora único e poderoso, o "ininterrupto" encontro no Mishkán - mais precisamente, sobre a Arca - daria um prosseguimento àquele extraordinário acontecimento e ao relacionamento entre Deus e Seu povo.


O Tabernáculo era também o ponto de convergência de toda a Nação, um centro espiritual que os congregava, fazendo deles um grupo homogêneo e coeso. Localizado no centro dos acampamentos das doze tribos, seria um local onde todo judeu poderia purificar-se, elevar seu espírito e conseguir o perdão Divino. Estas funções couberam, posteriormente, ao Templo Sagrado, em Jerusalém. Em termos estruturais, o Tabernáculo era uma construção notável. Muito provavelmente foi a primeira estrutura pré-fabricada, no mundo. Apesar de bastante grande - media 6,10m de altura por 7,30m de largura por 25m de comprimento - toda a sua estrutura podia ser desmontada e transportada de um local para outro. Assim sendo, pôde acompanhar os israelitas enquanto vagavam pelo deserto. Mesmo após terem entrado na Terra de Israel, vez por outra foi necessário transportá-lo para novas paragens. De acordo com a tradição bíblica, ficou em Guilgal durante 14 anos, em Shiló durante 369 anos e, por último, em Nov e Guivon, durante um total de 57 anos. Foi o rei David quem, após conquistar Jerusalém e expandir seu reinado, finalmente trouxe a Arca para Jerusalém. Sabia ser a cidade escolhida pelo Eterno para que lá fosse edificado um Templo permanente, em substituição ao Tabernáculo móvel e provisório que nos acompanhara em nossa epopéia pelo deserto.



A primeira instrução que Deus deu a Moisés em relação ao Tabernáculo foi confeccionar um repositório para abrigar "o Testemunho que Eu Te darei". Se analisarmos de uma forma lógica, a Arca não deveria ser construída até ter uma estrutura que a abrigasse. E, de fato, foi isto o que finalmente aconteceu. Somente após a estrutura estar pronta Betsalel confeccionou a Arca, o único implemento que, sob supervisão pessoal de Moisés, ele fez com suas próprias mãos, pois aí pousaria a Shechiná.


Mas, foi a primeira ordem Divina, pois a Torá, testemunho eterno do relacionamento especial entre Deus e Seu povo, é infinitamente mais importante que a estrutura que iria abrigá-la. É por conter o testemunho da Palavra Divina que o Aron é o ponto de maior santidade de todo o Mishkán.


No capítulo 25 do Êxodo, a Torá provê os detalhes referentes à confecção da Arca. Relata o texto bíblico que Deus ordenara que todo Israel participasse da construção, nem que fosse com alguma contribuição simbólica ou apenas em pensamento - uma exceção no que diz respeito aos mandamentos acerca da construção dos outros objetos sagrados. Os rabinos explicam que com isto cada um dos membros do povo teria a sua parte, o seu quinhão de participação na Torá.


Sua estrutura


A Arca era uma caixa retangular medindo 2,5 cúbitos de comprimento e 1,5 cúbito de largura e altura. Feita de madeira de acácia, uma espécie de cedro - em hebraico, shitim, era aberta por cima e devia ser revestida, por dentro e por fora, de uma camada do mais puro ouro. Rashi, o maior comentarista da Torá, explica que para a confeccionar conforme as especificações Divinas, Betsalel fez três caixas. A primeira, de madeira de acácia. Uma segunda, maior, de ouro puríssimo, dentro da qual era colocada a caixa de madeira. Por último, uma terceira, menor, que foi colocada dentro da caixa de acácia. Desta forma, o receptáculo principal era coberto de ouro em seu interior e exterior. Para confeccioná-la, foram utilizados o mais puro ouro e madeira porque, explicam nossos sábios, a Torá é como o ouro em seu valor e pureza, mas é também chamada de Árvore da Vida.


O ouro é primeiro na lista dos materiais a serem utilizados na construção do Tabernáculo. O Midrash observa que este metal é particularmente adequado para o Santuário, pois o objetivo deste era o "refinamento" espiritual do ser humano. Assim, como se refina o ouro bruto de suas impurezas, de modo semelhante deveria o judeu tentar apurar-se cada vez mais, espiritual e moralmente. Além do que, o ouro puríssimo do Aron serviria como símbolo de que o homem deve tentar alcançar a pureza não somente em suas ações e pensamentos, como também nos instrumentos que utiliza para a sua realização.


Na parte superior da Arca devia haver uma borda de ouro, como que a coroá-la (Yomá, 72b). Segundo o Midrash, o Aron simboliza a Torá e, a borda, a "Coroa da Torá". Deus conferiu ao povo de Israel três coroas: a da Torá, a da Kehuná (o sacerdócio) e a da monarquia. Acima das três, está a da Torá.

A Tampa e os Querubins


Uma tampa, kaporet em hebraico, do mesmo comprimento e largura do Aron Hakodesh e de ouro puríssimo devia cobrir a Arca para a fechar. O Midrash explica o nome kaporet. O termo deriva da palavra kapará, que significa expiação. É uma indicação de que o ouro usado em sua confecção serviria para expiar a grave transgressão que Israel cometera ao fazer o "Bezerro de ouro".


Sobre esta tampa, em suas extremidades, havia "dois querubins de ouro batido". Como Deus ordenara a Moisés que tanto os querubins como a tampa deviam ser feitos da mesma peça de ouro, Betsalel os havia moldado cinzelando as extremidades da tampa. No Talmud há uma descrição da aparência da Arca e dos dois querubins e inúmeras são as discussões sobre cada detalhe. Apesar das diferentes interpretações, diz a tradição que os querubins são representados como anjos com asas, como pássaros, e com rosto de criança, um de sexo masculino e outro, feminino. As asas dessas criaturas celestiais, estendendo-se para cima da tampa, formavam um arco protetor e sua face estava voltada uma à outra, inclinando-se para baixo, em direção à tampa.


Era "entre os querubins" que o Eterno comunicava-se com Seu profeta. A Torá relata as palavras do Todo Poderoso a Moisés: "E no tempo marcado, Eu estarei lá, falarei contigo desde a tampa da Arca, entre os dois querubins que estão sobre a Arca do Testemunho" (Êxodo, 25:22). Por isso, o espaço entre estas duas formas era visto por sábios e profetas como o foco principal da força espiritual e de toda inspiração profética, uma abertura para a dimensão espiritual, o próprio caminho à ascensão espiritual.


A simbologia que envolve os querubins é vasta e profunda. Em diversas ocasiões a Torá menciona essas criaturas celestiais: Deus os coloca para proteger o caminho da Árvore da Vida após a expulsão de Adão e Eva do Jardim do Éden; na visão do profeta Ezequiel, são os portadores do Trono de Glória Divina, e aparecem em várias outras visões proféticas. Representam entre outros o dualismo inerente a toda a Criação - as duas Tábuas da Lei, mantidas no Aron Hakodesh, eram um lembrete desta mesma verdade. Além disso, representam os princípios masculino e feminino que permeiam todo o Universo. Segundo Rashi, as faces infantis simbolizavam a pureza da inocência e do amor de Deus por Israel. Não podemos esquecer que foram as crianças de Israel que haviam sido eleitas no Monte Sinai como "os fiéis guardadores da Torá". O fato dos querubins terem a forma de um ser humano alado era uma alusão à capacidade do homem de transcender os laços terrenos. E, as asas abertas em direção aos céus representavam a vontade que motiva todas as criaturas a voar para cima "em direção a esferas espirituais mais elevadas". Pois, mesmo estando o homem ligado à materialidade pelo seu corpo mortal, pode voar com as asas de sua alma e se elevar espiritualmente.

créditos a revista Morashá.

5 comentários:

Blog Alex Mendes disse...

gostaria de parabenizar o carao colega jonh stone por sua atitude de levar o ensinamento das sagradas escrituras

carioca disse...

obrigado por revelar tudo oque sempre quiz saber e nunca tive a oportunidade tão detalhada. A paz do Senhor irmão!!!!!!!!!!!

anita disse...

Muita emoção ver o templo que Salomão construiu e a Arca da Aliança, obrigada meu Deus por essa rica oportunidade.
Levantou sábios para facilitar nosso acesso.
Fiquem na Paz do Senhor.

anita disse...

Obrigado meu Deus, por levantar pessoas que facilitem nosso acesso onde não podemos ir.
É uma emoção muito grande poder ver o desenho da Arca da Aliança e o Templo que Salomão construiu para adorar tão somente o Senhor nosso Deus.
Fiquem na Paz.

Vagner Silva disse...

http://arcadoeterno.blogspot.com.br/